A Câmara dos Deputados do Paraguai rejeitou nesta quinta-feira (5) o pedido de impeachment contra o vice-presidente do país, Pedro Alliana, o que abre caminho para que ele assuma a Presidência em substituição a Santiago Peña, que renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise política e financeira provocada pela intervenção no Ueno Bank.
Ao todo, 30 deputados votaram a favor do impeachment e 48 contra. A sessão extraordinária ocorreu após a reunião convocada para analisar a acusação contra Peña, que deve ser submetido a um processo de impeachment no Senado se os parlamentares não aceitarem sua renúncia.
Os 78 deputados presentes na sessão aprovaram a acusação contra Peña, a quem responsabilizam por “grave e sistemático mau desempenho de suas funções”. O processo foi encaminhado ao Senado, que decidirá sobre o julgamento político do presidente.

O Motivo da Crise: O Banco Colapso do Ueno
A turbulência política foi desencadeada por uma grave crise bancária após o Banco Central do Paraguai decretar a intervenção e liquidação do Ueno Bank , uma das maiores instituições financeiras digitais do país.
O banco violou os requisitos mínimos de solvência, provocando o congelamento de contas e deixando cerca de 3 milhões de clientes sem acesso ao seu dinheiro — numa população total de pouco mais de 6 milhões de habitantes.
Santiago Peña, que governava o país desde 2023, foi acionista do grupo controlador do Banco Ueno até março de 2025. Ele passou a ser acusado pela oposição e por dissidentes de seu próprio partido (Partido Colorado) de omissão, conflito de interesses e enriquecimento ilícito diante das irregularidades da instituição. O colapso gerou protestos intensos na capital, Assunção, e resultou na prisão de oito executivos ligados ao banco.