O frasco de Keytruda que chegou ao Hospital IGESP (Instituto de Gastroenterologia de São Paulo) tinha caixa, rótulo, bula e lacre parecidos com os do original. Faltava o essencial: o pembrolizumabe, anticorpo que faz do medicamento uma das imunoterapias mais usadas contra o câncer no mundo.
A análise química, feita pelo laboratório forense da fabricante MSD, não encontrou o princípio ativo nem qualquer outra substância farmacêutica na solução. Havia apenas sódio e cloro. Segundo o hospital, uma dose do produto falsificado chegou a ser aplicada em um paciente.
O laudo faz parte do inquérito da Operação Laziosi, que levou à prisão de três pessoas nesta quinta-feira (5).
O Keytruda é aprovado para ao menos 19 tipos de tumor, como os de pulmão, melanoma, rim, cabeça e pescoço, estômago e esôfago. É indicado principalmente para casos avançados ou para evitar que o câncer volte depois da cirurgia. É o caso do papa Leão XIV, que deve fazer o tratamento por pelo menos três anos após a retirada de um tumor no pulmão. No Brasil, o remédio é vendido por mais de R$ 20 mil por frasco. No SUS, só é oferecido para melanoma avançado, e centenas de pacientes recorrem à Justiça para ter acesso.




