Paoletti descobriu que o processo de adoção de cores específicas para meninos e meninas foi lento e gradual, com diversas idas e vindas, e que se consolidou no modelo atual apenas a partir da década de 1980.
Nas grandes lojas de departamento, é fácil identificar onde estão as roupas infantis femininas e masculinas. Se rosa é a cor dominante, já se sabe, é o lado das meninas. E se predominar o azul, dos meninos. O padrão se repete, tradicionalmente, nos enxovais de bebê e – não podemos esquecer – nos chás de revelação, com fumaça e alimentos coloridos e o que mais a criatividade de pais e mães for capaz de produzir. Azul e rosa se tornaram tão simbólicas do gênero dos bebês que é frequente observar meninos recusando brinquedos e roupas cor-de-rosa.
Mas nem sempre foi assim. Relacionar essas cores a meninas e meninos é um costume recente. Antes do século 20, os bebês usavam principalmente roupas de tons neutros, principalmente o branco. Além disso, o figurino das crianças era parecido, independentemente do gênero: camisolões brancos que se assemelhavam a vestidos. Era também uma questão de praticidade porque as peças brancas são mais fáceis de lavar com sabão e alvejante, sem o risco de desbotar como as roupas coloridas, que, além disso, eram caras na época. Quando as crianças completavam 6 ou 7 anos e ingressavam nas escolas, aí sim começavam a usar roupas associadas a gênero. Nessa idade, os meninos também ganhavam seu primeiro corte de cabelo.
Há poucas pesquisas históricas publicadas sobre como essas cores passaram a ser associadas ao gênero. A pesquisadora norte-americana Jo Paoletti, professora emérita da Universidade de Maryland (EUA), é uma das poucas cientistas a estudar esse fenômeno. Durante 40 anos, ela investigou e escreveu sobre as diferenças de gênero na moda americana. Paoletti descobriu que o processo de adoção de cores específicas para meninos e meninas foi lento e gradual, com diversas idas e vindas, e que se consolidou no modelo atual apenas a partir da década de 1980.




