A expansão de tecnologias energéticas amigáveis ao meio ambiente tornou-se foco estratégico para empresas, governos, centros de pesquisa e grupos de interesse.
Os investimentos globais em energia limpa já são o dobro daqueles em combustíveis fósseis. Isso mostra uma ampla reconfiguração do sistema energético. Mas essa transformação não é isenta de tensões e contradições. A transição energética deve ser abordada de forma sistêmica, por ser algo bem mais complexo do que uma simples substituição tecnológica.
Ao longo da história humana, a produção de minerais e metais tem desempenhado um papel central no desenvolvimento das sociedades, viabilizando a difusão de bens e serviços essenciais à vida cotidiana. É por meio da mineração que recursos naturais são transformados em infraestrutura, sistemas de transporte, energia, fertilizantes, saneamento e tecnologias da informação.

O momento atual está marcado pela transformação nas bases energéticas, num contexto de urgência na redução das emissões de gases de efeito estufa, para manter o aquecimento global abaixo de 2°C e evitar cenários futuros adversos e imprevisíveis. Esse cenário também caracteriza um novo momento para a indústria da mineração.
É cada vez mais evidente que não só o bem-estar humano, mas também a própria transição para uma matriz energética de baixo carbono depende de um aumento expressivo na demanda por minerais.
A expansão de energias limpas – ainda que em ritmo aquém do necessário – já é uma realidade cada vez mais concreta. A energia solar tem liderado esse crescimento: desde 2023, ao superar a capacidade da energia hidrelétrica – até então, a principal fonte renovável –, tornou-se a tecnologia dominante.

Nos últimos 10 anos, a capacidade solar instalada cresceu oito vezes, enquanto a eólica quase triplicou. As projeções da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que a capacidade total dessas fontes deve dobrar até 2030 e quintuplicar até 2050. Do lado dos combustíveis fósseis, observa-se uma desaceleração no crescimento do mercado. Após um aumento expressivo na demanda por petróleo em 2021 – reflexo da retomada da mobilidade no pós-pandemia –, esse crescimento perdeu força e chegou a 0,8% em 2024, abaixo da média superior a 1% ao ano, registrada na década anterior a 2019.
Como resultado, a participação do petróleo na matriz energética global caiu para menos de 30% pela primeira vez na história, sinalizando uma possível inflexão (ainda que tímida) no padrão de consumo energético mundial.
A expansão das energias limpas e a desaceleração da demanda por combustíveis fósseis refletem uma mudança nos padrões de investimento. Ao longo da última década, os fluxos financeiros passaram a se direcionar cada vez mais para energias renováveis, redes elétricas e tecnologias de armazenamento.
Até 2015, os aportes em petróleo, gás natural e carvão superavam aqueles destinados à geração renovável, infraestrutura elétrica, eficiência energética e energia nuclear – um cenário que começou a se inverter no ano seguinte. Já em 2023, os investimentos destinados apenas para a geração de energia renovável, redes e armazenamento ultrapassavam aqueles destinados às fontes fósseis.




