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Cultura

O bem e o mal… poesia de Paulo Barbosa

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O bem e o mal by Paulo Barbosa
No princípio, era o paraíso:
a perfeição divina.
A paz dos dias límpidos, a monotonia.
E, logo após, o tédio.
A rebeldia do ato insano
desnudou os puritanos.
A pulsão irrefreável, hipnótica,
transgrediu a lógica.
Sofista, a serpente
vestiu o pecado de belo.
Miguel, por que não destruiu Lúcifer?
Deixou legiões a nos atormentar os sonhos,
com tentáculos sedutores e medonhos,
que se nutrem das dúvidas rotineiras,
sufocam débeis almas e suas barreiras.
A redenção veio da Cruz
para exorcizar “sombras” malignas
extirpadas do âmago dos (im)puros
e libertar as benignas, com amor e luz.
A Bíblia foi inspirada por Deus,
ou forjada em pontos nevrálgicos
por religiosos
que a moldaram segundo seus propósitos?
Indignos, não encontrarás o Santo Graal,
nem a Arca da Aliança,
ou a paz em meio às guerras
enquanto estiveres no estado de trevas.
A bola de fogo não virá do céu,
se agiganta e se multiplica
em cada ponto cardeal.
Há maldição no poder,
no olhar sorridente dissimulado.
Soberba e ambição,
onde nem a heliosfera é o limite.
Inevitável:
sangue, biotrapos e lágrimas.
Depois do pecado,
do caminho da salvação,
a entropia: desgraças, sadismo, pavor
a saudade de um aroma de flor.
O sol não nasce para todos.
Na escuridão, criaturas espreitam o bem.
No fim, o retorno ao paraíso.
Será que Eva vai superar a tentação?
E o trigo se livrar do joio?
A esperança é o retorno do Rei dos Reis.

By Dr. Paulo Barbosa

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