Secretário de Estado americano afirmou que o governo Trump obteve garantias para a volta segura da líder oposicionista; Washington negocia mudanças no Judiciário e no sistema eleitoral antes de uma nova eleição presidencial.
O retorno de María Corina Machado à Venezuela abriu uma nova etapa nas negociações políticas apoiadas pelos Estados Unidos para promover uma transição no país. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou na segunda-feira que o governo de Donald Trump obteve garantias das autoridades interinas venezuelanas para que a líder da oposição pudesse voltar ao território nacional e circular sem interferências.

Segundo Rubio, representantes americanos conversaram semanas antes com o governo interino de Delcy Rodríguez para assegurar que Machado, cidadã venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, pudesse retornar em segurança. As autoridades venezuelanas teriam informado que ela poderia desembarcar no país, mensagem que Washington transmitiu à equipe da oposicionista.
“Ela é venezuelana. Ela pertence ao seu país”, afirmou Rubio ao relatar o posicionamento apresentado pelos Estados Unidos às autoridades venezuelanas.
Machado reapareceu publicamente no domingo, durante uma celebração religiosa no estado de Lara. Em seguida, percorreu regiões do norte do país em uma caravana que reuniu milhares de apoiadores nas estradas e nas cidades por onde passou.
Retorno ocorre em meio a negociações sobre a transição
A volta de Machado acontece enquanto Washington tenta avançar em um acordo para reformar as principais instituições venezuelanas antes da realização de novas eleições presidenciais.
O plano prevê mudanças no Supremo Tribunal de Justiça e no Conselho Nacional Eleitoral, órgãos que, segundo o governo americano, foram utilizados durante o governo de Nicolás Maduro para restringir a oposição e preservar o poder do chavismo.
A proposta depende da cooperação de Delcy Rodríguez e de outros integrantes do antigo grupo governista que permaneceram no poder após a captura de Maduro por forças americanas, em janeiro.
Embora Machado tenha demonstrado capacidade de mobilizar grandes multidões, ainda não existe uma data oficial para a próxima eleição presidencial. O calendário dependerá do avanço das reformas e das negociações entre Washington, a oposição e as autoridades interinas.
Estados Unidos querem reformar o Judiciário e o sistema eleitoral
Durante a entrevista coletiva, um alto funcionário do Departamento de Estado detalhou as mudanças institucionais consideradas necessárias pelo governo Trump para que a Venezuela possa realizar eleições consideradas confiáveis.




