Os protestos que se espalharam por Paris e por outras cidades levaram a França a cercear uma das palavras de ordem da Revolução Francesa: a liberdade. As autoridades impuseram toque de recolher parcial em partes da capital e em outras cidades do norte do país, entre 20h desta segunda-feira (19/10) e 6h desta terça-feira (20/10) pelo horário local (das 15h de segunda-feira à 1h desta terça no horário de Brasília). Em Lyon, Lille e Nice, a medida vigorou em áreas específicas das regiões metropolitanas. Nas duas últimas cidades, apenas menores desacompanhados foram proibidos de circular. De forma independente, a Prefeitura de Marselha proibiu reuniões e manifestações, ontem. Os protestos começaram com os estudantes, que tomaram as ruas para exigir uma melhoria da educação, mas acabaram incluindo os chamados “coletes amarelos” e outros movimentos sociais, que denunciam o aumento do custo de vida.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, esteve na segunda maior cidade da França e se reuniu com o prefeito, Benoit Payan. “Não entendo como, em total impunidade, pessoas puderam massacrar a minha cidade durante horas (…) diante dos olhos de indivíduos que deveriam ter intervindo”, declarou, ao exigir que o Estado “pague a conta” pelos prejuízos estimados em 28 milhões de euros (ou R$ 140,8 milhões). Nuñez admitiu que a polícia “perdeu o controle”. Durante os protestos, mais de mil policiais ficaram feridos, 2.500 manifestantes foram detidos e 67 estão presos.




