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Ciência

Pesquisadores são premiados por descobrirem proteínas no ‘leite’ da barata

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Pesquisa sobre os cristais ricos em proteínas produzidos pela barata Diploptera punctata mostra que eles podem concentrar mais de três vezes a energia do leite de vaca.

Uma descoberta sobre um alimento bastante improvável rendeu um prêmio a um grupo de cientistas: o “leite” produzido por uma espécie de barata. Os pesquisadores investigaram os cristais de proteína formados a partir desse líquido e mostraram que eles armazenam uma quantidade surpreendentemente alta de energia. O estudo analisou a espécie Diploptera punctata, conhecida como barata-do-Pacífico. Diferentemente da maioria das baratas, ela é vivípara e alimenta os embriões dentro do corpo com uma secreção rica em nutrientes.

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“Leite” da barata é formado por cristais

A fêmea produz uma secreção esbranquiçada dentro do saco incubatório, estrutura na qual os embriões se desenvolvem. O líquido é consumido pelos filhotes ainda no estágio embrionário e chega ao sistema digestivo deles.

No intestino, parte dessa secreção se transforma em pequenos cristais ricos em proteínas, carboidratos e lipídios. Os pesquisadores descobriram que essas estruturas funcionam como uma espécie de reserva concentrada de nutrientes para o desenvolvimento dos embriões. As proteínas encontradas nos cristais também apresentam diferentes características e quantidades de nutrientes, o que indica que não se trata apenas de uma fonte de proteína, mas de um alimento relativamente completo para os filhotes.

Cristal pode concentrar mais energia que o leite de vaca

Quando compararam os cristais produzidos pela barata com o leite de vaca, os pesquisadores descobriram que uma quantidade equivalente dos cristais pode armazenar mais de três vezes a energia encontrada no leite bovino.

Isso acontece porque os nutrientes ficam concentrados na estrutura cristalina, permitindo que os embriões tenham acesso a uma fonte de energia estável durante seu desenvolvimento.

Descoberta rendeu um Ig Nobel

O trabalho foi reconhecido com o Ig Nobel de Química, premiação que celebra pesquisas científicas consideradas inicialmente curiosas ou engraçadas, mas que também podem estimular reflexões sobre a ciência. Apesar do aspecto inusitado da descoberta, os cristais de proteína da barata despertam interesse científico por sua capacidade de armazenar nutrientes de forma extremamente concentrada.

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