Mingyang vê enorme potencial eólico no Brasil, destaca indústria e mão de obra local e condiciona novos investimentos à previsibilidade do mercado.
A chinesa Mingyang Smart Energy, uma das grandes fabricantes globais de turbinas eólicas, voltou a colocar o Brasil no centro de sua estratégia internacional. Em declaração feita durante o Fórum Nacional Brasil Export 2026 e publicada pelo BE News em 6 de outubro, o gerente-geral da companhia para as Américas, Marco Wobeto, afirmou que o país reúne alguns dos melhores recursos eólicos do mundo, possui indústria desenvolvida e mão de obra qualificada para receber uma nova onda de investimentos. Mas colocou uma condição clara: para fabricantes globais ampliarem fábricas, fornecedores e contratos, o Brasil precisa oferecer previsibilidade de demanda.
A fala ganha peso porque a Mingyang não está apenas estudando o mercado brasileiro. A empresa já trouxe seu primeiro aerogerador ao país, conectou uma turbina de 6,25 MW da Copel à rede no Rio Grande do Norte em 2025 e já havia firmado um acordo de fornecimento preferencial para um projeto de 240 MW, envolvendo 49 turbinas.
Mingyang diz que Brasil possui condições raras para a indústria eólica
A relação da empresa chinesa com o Brasil já passou da fase de apresentação comercial. Em agosto de 2025, a Mingyang anunciou a conexão à rede de sua primeira turbina instalada no país.
O equipamento, modelo MySE 6.25-172, foi colocado em um projeto da Copel no Rio Grande do Norte. A turbina possui potência nominal de 6,25 MW e rotor de 172 metros de diâmetro.

A avaliação apresentada por Marco Wobeto reúne três pontos que interessam diretamente a qualquer fabricante de turbinas.
O primeiro é a qualidade do vento. O Brasil possui extensas áreas, principalmente no Nordeste (RN, CE, PI), onde os ventos apresentam velocidade elevada e comportamento relativamente previsível durante boa parte do ano. O segundo é a existência de uma cadeia industrial já formada. Torres, pás, componentes elétricos, estruturas metálicas, serviços de engenharia, transporte especial e manutenção já são produzidos ou executados no país.
O terceiro é mão de obra. A indústria eólica brasileira formou ao longo dos últimos anos profissionais especializados em montagem, engenharia, manutenção, logística e operação de parques.
Para a Mingyang, portanto, o problema brasileiro não está na falta de recurso natural nem na inexistência de uma indústria capaz de receber novos fornecedores.
O ponto central está na demanda futura.

Fabricante quer saber quantas turbinas o Brasil comprará nos próximos anos
Uma fábrica de aerogeradores exige investimentos elevados. Linhas de montagem são grandes, componentes pesados precisam de instalações especiais e cada modelo pode exigir novos equipamentos, fornecedores e treinamento. Uma empresa dificilmente investirá centenas de milhões em uma planta industrial se não conseguir enxergar pedidos suficientes para manter a fábrica trabalhando durante vários anos.
Foi exatamente esse ponto levantado pela Mingyang. Segundo Wobeto, a previsibilidade dos investimentos é fundamental. Na prática, fabricantes querem saber se existirão leilões, contratos de energia, linhas de transmissão e projetos capazes de criar demanda contínua por novas turbinas.




