Primeira das cinco sessões exigidas para uma PEC começou nesta terça-feira (6), enquanto governo cobra posicionamentos e senadores de oposição discutem como agir no plenário.
O debate sobre o fim da escala 6×1 entrou em uma nova fase nesta terça-feira, 6 de outubro. O Senado iniciou a primeira das cinco sessões de discussão necessárias antes da votação de uma proposta de emenda à Constituição, enquanto governistas passaram a pressionar aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a declarar publicamente como pretendem se posicionar.
A movimentação transformou a tramitação da PEC em mais um ponto da disputa eleitoral entre os grupos ligados a Lula e Flávio Bolsonaro. Enquanto o governo tenta avançar com o texto antes do segundo turno, senadores da oposição discutem uma possível obstrução e defendem uma proposta alternativa para reduzir a jornada de trabalho.
Governo usa debate sobre escala 6×1 para cobrar posição dos aliados de Flávio Bolsonaro
A estratégia do governo ganhou força no Senado nesta terça-feira. Após encontro com Davi Alcolumbre (União-AP), o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que quer ver como os aliados de Flávio Bolsonaro votarão quando a proposta chegar ao momento decisivo.
Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, também elevou a pressão. O senador afirmou que existe acordo governista para votar a matéria, mas cobrou uma posição de Flávio. Segundo Wagner, parlamentares da oposição estariam evitando registrar presença numa tentativa de dificultar o debate sobre o fim do trabalho aos sábados.
O confronto político em torno da proposta já vinha se formando desde setembro. Em 2 de setembro, a PEC passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Naquele momento, aliados de Flávio Bolsonaro, entre eles Rogério Marinho (PL-RN), manifestaram forte oposição ao texto. Desde então, governistas acusam adversários de dificultar o avanço da matéria.
Cinco sessões de discussão precisam ocorrer antes de a PEC chegar à votação no Senado
O rito legislativo passou a ser uma peça importante desse confronto. Nesta terça-feira (6), os senadores começaram a cumprir a primeira das cinco sessões de discussão necessárias antes que uma PEC possa ser submetida à votação.
Segundo José Guimarães, Davi Alcolumbre teria se comprometido a colocar a proposta em votação antes do segundo turno. A expectativa governista também era de que o próprio presidente do Senado comandasse a sessão, movimento interpretado por aliados como uma sinalização favorável ao andamento da matéria.
A votação, contudo, ainda enfrenta incertezas. Senadores da base reconhecem que o cenário é difícil e evitam garantir que haverá condições políticas para concluir o processo. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), resumiu a situação ao afirmar: “Vamos tentar”.
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Flávio Bolsonaro defende a proposta de ROGÉRIO MARINHO
Flávio Bolsonaro voltou a defender nesta terça-feira (6) a proposta alternativa apresentada por Rogério Marinho. O texto permite que trabalhador e empregador negociem uma redução da jornada, mas prevê a possibilidade de redução proporcional do salário após o acordo.
Para Flávio, o caminho deveria ampliar a liberdade do trabalhador para definir sua carga horária conforme suas possibilidades. A proposta estabelece, portanto, uma diferença importante em relação ao texto que está sendo discutido no Senado e defendido pelos governistas.
O embate coloca duas estratégias diante dos senadores. O governo tenta avançar com a PEC e cobrar publicamente o posicionamento dos aliados de Flávio Bolsonaro, enquanto a oposição avalia obstruir a tramitação e defender seu modelo alternativo. Com cinco sessões previstas antes da votação, o fim da escala 6×1 passa a ocupar espaço central no Senado às vésperas do segundo turno presidencial.





