América Latina pode superar 120 GW de capacidade eólica terrestre na próxima década, mas restrições na transmissão já provocam cortes de geração e pressionam novos projetos no mercado brasileiro.
O Brasil já possui cerca de 35 GW de capacidade de energia eólica onshore e ocupa posição central na expansão dessa fonte na América Latina. Aproximadamente 90% das turbinas brasileiras estão instaladas no Nordeste, região favorecida por ventos intensos e relativamente constantes ao longo do ano. A escala alcançada, porém, criou um novo desafio. Produzir mais energia deixou de ser a única questão. Agora, uma parcela decisiva da expansão depende da capacidade de transportar a eletricidade dos grandes polos geradores até os centros consumidores. As limitações da rede de transmissão aparecem entre os principais obstáculos para a próxima etapa da expansão eólica no continente.

Terceiro estado que mais produz energia solar e eólica no Brasil da geração centralizada, o Piauí ultrapassou, em julho deste ano, 6 GW em capacidade instalada nos 178 parques no estado. Essa potência é suficiente para abastecer mais de 3 milhões de residências, segundo especialistas do setor.
A maior parte dessa energia vem dos 118 empreendimentos eólicos, que bateram 4 GW de potência instalada. Os outros 2 GW vêm dos 60 parques de energia solar. Atualmente, 17 municípios abrigam as usinas de energia solar e eólica.
Complexo Eólico Ventos de Santa Eugênia, na Bahia, operado pela Statkraft. O empreendimento reúne 14 parques eólicos e 91 turbinas, com potência individual de 5,7 MW. O complexo também está sendo combinado com uma usina solar de 162 MW, formando uma estrutura híbrida de geração renovável. Em abril deste ano, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Piauí foi o estado com maior expansão em grandes parques de energia solar e eólica, com 14 novas usinas em operação e uma ampliação de 400 MW. Em 2022, foi quem mais apresentou crescimento na geração de energia eólica do país, com um aumento de 24,85% a mais do que havia produzido em 2021. É o que aponta a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
O desafio a seguir é providenciar a logística de distribuição onde os grandes volumes de eletricidade produzida a e a produzir, possam percorrer o sistema nacional, e internacional, até alcançar regiões de maior consumo.
Quando a capacidade das linhas não acompanha a velocidade de instalação das usinas, surgem congestionamentos e necessidade de limitar temporariamente a geração — fenômeno conhecido no setor como curtailment.
É justamente esse descompasso entre geração instalada e infraestrutura disponível que passa a ocupar posição central na discussão sobre os próximos gigawatts eólicos brasileiros.




