O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciará nesta segunda-feira (5/10) a disputa pela Presidência mais difícil de sua biografia.
Confirmando as projeções feitas por diversos especialistas ao longo dessas eleições, o pleito deste domingo foi o mais apertado desde a redemocratização. Somente 2,2 milhões de votos separam Flávio Bolsonaro (PL), que ficou em primeiro lugar, de Lula.
Por outro lado, o resultado contrariou as pesquisas eleitorais, que apontaram Lula à frente no primeiro turno com pequena vantagem. Para o cientista político Murillo Aragão, da Arko Advice, a “onda azul” a favor de Flávio era esperada. “Há uma tendência histórica de os candidatos de esquerda aparecerem melhor nas pesquisas”, afirma.
“Com o resultado dos demais candidatos, cerca de dois terços devem migrar para Flávio. Ele se torna o favorito, salvo se vier uma bomba atômica. Mas mesmo uma bomba teria um efeito limitado.”
“O Jair sai como um dos vitoriosos, porque se confirmando a vitória do filho, que ele bancou a candidatura, que muitos acharam que não ia decolar, abre-se a oportunidade da anistia”, afirma Aragão.
Para além de Flávio, Carlos Bolsonaro (PL) foi eleito senador por Santa Catarina, e Michelle (PL), pelo Distrito Federal. Jair Renan, o filho mais novo do ex-presidente, elegeu-se deputado federal por Santa Catarina.
Desde o ano passado as pesquisas já mostravam que Jair Bolsonaro era o nome mais competitivo para disputar com Lula a Presidência. Preso e inelegível, seu herdeiro direto teria grande potencial.
Ao longo dos meses, até que o nome de Flávio fosse oficialmente lançado pelo PL, disputas e brigas públicas entre a família confirmaram a tensão em torno de quem herdaria esse legado.
Em julho, cumprindo prisão domiciliar, Jair Bolsonaro escreveu uma carta dizendo que Flávio era seu porta-voz e pedindo que as diferenças fossem deixadas de lado.
“Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro”, escreve o ex-presidente.
“Meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade”, completou Bolsonaro, no documento, que foi lido por Flávio nas redes sociais.
Fonte: BBC Brasil




