Relatório do Banco Central indica impactos negativos do El Niño sobre milho, arroz e algodão, enquanto soja pode ganhar produtividade no Sul e perder no Matopiba, com efeitos diferentes entre culturas e regiões brasileiras analisadas
O avanço da possibilidade de um El Niño de forte dimensão até o fim do segundo trimestre de 2027 colocou a produção agrícola brasileira no radar do Banco Central. Em relatório divulgado na quinta-feira (24), a instituição apontou que o impacto pode ser negativo para culturas importantes, mas está longe de ser igual em todo o país.
A análise considerou soja, milho, algodão herbáceo, arroz, cana-de-açúcar e café. Juntas, essas culturas representam aproximadamente 75% do valor da produção agrícola nacional. O BC usou uma amostra de 1990 a 2026, com 37 observações anuais. O quadro mais claro aparece em milho, algodão e arroz. Segundo o relatório, episódios de El Niño costumam estar associados a produtividades abaixo da tendência histórica na maioria dos estados produtores dessas culturas, em vários casos com efeitos considerados relevantes.

Isso acontece porque o El Niño altera temperatura e distribuição das chuvas pelo Brasil. Normalmente, o fenômeno está ligado a mais precipitação no Sul, menos chuva em partes do Norte e Nordeste e temperaturas acima da média em uma parcela do território.
Soja pode ganhar no Sul e perder no Matopiba
Na soja, principal produto da agropecuária brasileira, a situação é bem menos uniforme. Quando todo o país é considerado, o impacto estimado do El Niño fica próximo de zero.
Mas esse número nacional esconde diferenças grandes.
No Rio Grande do Sul, o fenômeno aparece associado a ganhos de produtividade, acompanhando o padrão de aumento das chuvas no Sul. Já em partes do Matopiba — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — ocorre o contrário.
O Piauí chama atenção. Segundo o BC, episódios de El Niño estão associados a quedas expressivas da produtividade da soja no estado e contribuíram para alguns dos principais desvios negativos registrados durante o período analisado. Em Mato Grosso, a contribuição também é negativa, porém com desvios menores em relação à tendência.





