Projeto Aman avança na Mauritânia com até 30 GW de renováveis e mira 6,6 milhões de toneladas anuais de amônia verde.
Segundo o Ministério de Energia e Petróleo da Mauritânia, o governo do país e a CWP Global deram um passo decisivo no projeto Aman ao estabelecer um novo marco contratual de longo prazo para um dos maiores empreendimentos de hidrogênio verde em desenvolvimento no mundo.

A escala coloca pressão sobre países que também querem vender moléculas verdes ao mercado internacional: a CWP apresenta o complexo com potencial de até 30 GW de geração eólica e solar, enquanto a configuração anunciada pelo governo mira 1,2 milhão de toneladas de hidrogênio verde e 6,6 milhões de toneladas de amônia verde por ano. Do outro lado do Atlântico, o Brasil tenta colocar Pecém, no Ceará, e Açu, no Rio de Janeiro, na mesma corrida por compradores, investimentos e contratos de exportação.
Um acordo tira o Aman do terreno das promessas mais distantes
O projeto não apareceu agora. A CWP começou a trabalhar no Aman em 2020. Um memorando de entendimento veio em 2021 e, no ano seguinte, governo e empresa assinaram um acordo de estruturação.
A novidade mais recente é mais concreta. A chamada Global Convention definiu as bases contratuais, fiscais, econômicas e de desenvolvimento para as próximas etapas. O documento foi assinado em Nouakchott em 16 de setembro e ganhou nova repercussão internacional nos dias seguintes.
A CWP afirma que o empreendimento chegou à fase de engenharia FEED, quando os principais sistemas começam a ser detalhados antes da decisão de colocar bilhões de dólares na construção. A meta é tomar essa decisão antes de 2030.
Na página atual do projeto, a CWP apresenta o Aman com potencial de até 30 GW de geração combinada, dividida entre recursos solares e eólicos. O complexo ocuparia uma área aproximada de 8.500 km² no norte da Mauritânia e daria para fornecer para vários países da África do Sul.
O verdadeiro produto de exportação pode ser a amônia
Transportar hidrogênio puro por longas distâncias ainda é caro e tecnicamente complicado. Por isso, muitos dos grandes projetos mundiais estão olhando para a amônia.
O hidrogênio produzido nos eletrolisadores pode ser combinado ao nitrogênio retirado do ar. O resultado é a amônia, substância que já possui uma cadeia global de transporte e é usada principalmente na produção de fertilizantes.
No Aman, a meta atual divulgada pelo governo é produzir 6,6 milhões de toneladas de amônia verde por ano, além de 1,2 milhão de toneladas anuais de hidrogênio. É aí que a disputa começa a encostar diretamente no Brasil.
O projeto africano quer usar hidrogênio até para transformar minério de ferro
A CWP não planeja limitar o Aman à exportação de amônia. A Mauritânia possui grandes reservas de minério de ferro. Com eletricidade renovável e hidrogênio em grande quantidade, parte desse minério poderia passar a ser transformada dentro do próprio país. O objetivo é abrir espaço para ferro reduzido e aço com emissões muito menores.





