Mesmo com produção recorde e milhões de barris exportados, o Brasil ainda importa derivados, enfrenta limites no refino e soma impostos, biocombustíveis, transporte, distribuição e revenda ao preço final dos combustíveis nos postos brasileiros diariamente
O Brasil produz cada vez mais petróleo, exporta grandes volumes e alcançou 4,498 milhões de barris por dia em julho de 2026. Mesmo assim, quem abastece continua encontrando gasolina e diesel caros. A explicação está menos na quantidade de óleo retirada do mar e mais no caminho que existe entre o petróleo bruto e o combustível vendido no posto.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção brasileira de petróleo em julho avançou 13,6% na comparação com o mesmo mês de 2025.
Quando petróleo e gás são somados, o país chegou a 5,851 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

Brasil extrai milhões de barris, mas produz menos derivados
Segundo dados consolidados da ANP, o Brasil produziu, em média, 3,8 milhões de barris de petróleo por dia em 2025, alta de 12% sobre 2024. Cerca de 3 milhões de barris diários saíram do pré-sal.
Na outra ponta, a produção nacional de derivados de petróleo ficou próxima de 2,2 milhões de barris por dia no mesmo período, com queda de 1,4%.
As refinarias brasileiras operaram, em média, com utilização equivalente a 86,4% de sua capacidade instalada. Enquanto isso, as exportações líquidas brasileiras de petróleo chegaram a 1,7 milhão de barris por dia em 2025. Na prática, o país consegue colocar grandes quantidades de petróleo bruto no mercado externo, mas isso não significa produzir internamente todos os derivados necessários para atender à demanda brasileira.
Petrobras recebe R$ 2,08 dos R$ 6,99 cobrados na gasolina
Outro ponto ajuda a entender por que o aumento da produção de petróleo não chega diretamente ao motorista na forma de combustível barato: o preço pago no posto reúne várias parcelas.
Segundo dados divulgados pela Petrobras para a semana de 6 a 12 de setembro de 2026, o preço médio considerado para a gasolina no país era de R$ 6,99 por litro. Desse total, R$ 2,08 equivalentes a 31,8%, correspondiam à parcela da Petrobras. Os impostos estaduais representavam R$ 1,82 por litro, enquanto os tributos federais acrescentavam outros R$ 0,34, somando só de impostos R$2,16
Também entravam na conta R$ 0,93 referentes ao etanol anidro misturado à gasolina e R$ 1,72 relacionados à distribuição e à revenda. Ou seja, naquela composição, a parcela recebida pela Petrobras representava pouco mais de um quarto do preço final considerado para a gasolina.





