No Dia Nacional do Teatro, conheça 3 peças que levaram histórias e personagens do Nordeste para palcos do Brasil e do mundo.
O teatro brasileiro também tem sotaque nordestino. No Dia Nacional do Teatro, celebrado neste sábado (19), o lembramos aqui três peças que ajudaram a levar personagens, histórias, conflitos e características da cultura nordestina para palcos de diferentes partes do país.
As três obras têm algo em comum: foram escritas por autores ligados ao Nordeste e transformaram elementos da região em matéria-prima para o teatro brasileiro.
A princípio, O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, e O Santo e a Porca, também de Suassuna, atravessaram gerações e continuam recebendo novas montagens.

1. O Auto da Compadecida — Ariano Suassuna
Suassuna transformou referências populares nordestinas em uma dramaturgia capaz de dialogar com públicos de diferentes regiões. João Grilo e Chicó, por exemplo, representam um tipo de personagem que utiliza o humor e a astúcia para enfrentar situações de pobreza e poder.
Dessa maneira, o sucesso ultrapassou o teatro. A obra ganhou adaptações para o cinema e para a televisão e continua recebendo novas montagens.
Em 2026, inclusive, O Auto da Compadecida continua aparecendo na programação teatral brasileira, mostrando a permanência da obra décadas depois de sua criação.

2. Morte e Vida Severina — João Cabral de Melo Neto
Escrito pelo pernambucano João Cabral de Melo Neto, o poema dramático acompanha Severino, um retirante que deixa o sertão em direção ao litoral em busca de uma vida melhor.
Durante a viagem, ele atravessa diferentes paisagens e encontra pobreza, fome, morte e desigualdade. O caminho passa pelo sertão, Agreste e Zona da Mata até chegar ao Recife. A apresentação de estreia reuniu mais de mil pessoas e, ao longo de 32 espetáculos, o grupo chegou a 17,5 mil espectadores. A montagem também participou de um festival internacional de teatro universitário em Nancy, na França.

3. O Santo e a Porca — Ariano Suassuna
A terceira obra volta ao universo de Ariano Suassuna, mas com uma história diferente.
Escrita em 1957, O Santo e a Porca é uma comédia ambientada no universo nordestino e centrada na relação entre fé, dinheiro, avareza e relações familiares. O protagonista é Euricão Árabe, um homem obcecado por dinheiro que guarda suas economias dentro de uma porca de madeira.
A peça utiliza o humor para trabalhar um tema universal: o apego ao dinheiro.
Ao mesmo tempo, Suassuna adapta para o universo nordestino elementos da comédia clássica Aulularia, de Plauto. Por isso, a obra consegue unir uma referência da dramaturgia antiga com personagens, linguagem e situações reconhecíveis na cultura nordestina.





