A engenharia e a ciência brasileiras deixaram de ser apenas usuárias de dados para atuar diretamente na criação dos “cérebros” e instrumentos ópticos avançados. Com previsão de inauguração em 2029, centro de observações no Chile fará parte de nova geração de equipamentos astronômicos, e recebeu investimento da Fapesp.
O Brasil faz parte dos investimentos da construção do Gigante de Magalhães, telescópio que está sendo construído no deserto do Atacama, no Chile, e será o terceiro maior do mundo em solo. Ele é fruto de um consórcio de universidades e instituições do mundo todo.
O Gigante de Magalhães faz parte de uma nova geração de instrumentos de observação astronômica “extremamente grandes”, e vai permitir estudar a formação física e química das primeiras estrelas e galáxias. O dispositivo vai funcionar em conjunto com o telescópio espacial James Webb , lançado em 2021 e operado pela Nasa, a agência espacial americana, para interpretação de dados e descobertas.

A expectativa é de que o Gigante de Magalhães esteja funcionando em 2029. Em 2022, o Brasil investiu US$ 45 milhões na construção, por meio da Fapesp (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo).
Neste texto, o Nexo explica o projeto do Gigante de Magalhães e o papel do Brasil na iniciativa.
‘Telescópio extremamente grande’
O Gigante de Magalhães é o que a pesquisa astronômica chama de “telescópio extremamente grande”, com capacidade para captar frequências de luz que foram emitidas há bilhões de anos. Ele tem esse nome em homenagem ao navegador português Fernão de Magalhães, o primeiro a dar a volta ao mundo em um barco. O equipamento será composto por sete grandes espelhos, cada um com 8,4 metros de diâmetro. O tempo de fabricação de cada refletor é de quatro anos, entre a fundição do vidro, desbaste, polimento e a aluminização final. Quando estiver operacional, o Gigante de Magalhães será 200 vezes mais poderoso que qualquer outro telescópio existente em solo terrestre e dez vezes mais poderoso do que o James Webb, da Nasa, que está no espaço desde dezembro de 2021.
“As recentes contribuições de nossos parceiros de investimento no Telescópio Gigante de Magalhães estão coletivamente ampliando os limites da astronomia, tornando o futuro uma realidade e nos permitindo responder a alguns objetivos científicos importantes”, afirmou em nota Walter Massey, presidente do conselho de construção do telescópio.
O intuito do Gigante de Magalhães é trabalhar em sinergia com o James Webb, complementando e interpretando dados coletados pelo telescópio espacial. Com isso, será possível entender o processo de formação do universo.
“Assim como a gente não se contenta em só conhecer a nossa cidade e quer conhecer outras cidades do mundo, os astrônomos não se contentam em estudar só a Terra, a Lua e os planetas”, disse ao Nexo Thaisa Bergmann, astrofísica e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ao explicar a importância desse tipo de estudo astronômico.




