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Cultura

O mundo é dos ignorantes e dos intolerantes

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A ignorância e a intolerância ocupam cada vez mais espaço numa sociedade que desaprendeu a ouvir.

Existe uma contradição incômoda no nosso tempo: nunca tivemos tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, parece tão difícil convencer algumas pessoas a conhecer os fatos antes de formar uma opinião.

O Brasil entrou em 2026 conectado como nunca. Segundo o IBGE, na divulgação de 2 de julho de 2026, a internet estava presente em 95% dos domicílios brasileiros em 2025, alcançando 76 milhões de lares.

Informação, portanto, não está distante. Está no bolso, na televisão, no computador, no celular. O problema é outro: ter acesso à informação não significa saber lidar com ela.

A ignorância contemporânea não é necessariamente a ausência de informação. Muitas vezes, é a recusa em reconhecer aquilo que contraria uma convicção.

🎭 "Todo preconceito é fruto da burrice, da ignorância, e qualquer atividade cultural contra preconceitos é válida." - Paulo Autran - O Senhor dos Palcos, documentário sobre a vida e obra deste

E esse fenômeno encontra terreno fértil nas redes sociais.

Em 10 de abril de 2026, o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) divulgou resultados de pesquisa mostrando que cerca de metade dos entrevistados desconfia sempre ou na maioria das vezes das informações que recebe de diferentes fontes: 48% em relação aos veículos tradicionais, 47% em relação a canais, páginas ou perfis em plataformas de vídeo e streaming e 43% em relação a influenciadores ou figuras públicas nas redes sociais.

A desconfiança, por si só, não é um defeito. Questionar uma informação é saudável. O problema aparece quando a desconfiança deixa de produzir investigação e passa a produzir apenas rejeição.

Existe outro número que deveria provocar uma reflexão nacional.

Segundo a PNAD Contínua do IBGE, divulgada em 19 de junho de 2026, o Brasil tinha 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabiam ler e escrever em 2025. A taxa de analfabetismo havia caído para 4,9%.

O dado mostra avanço, mas também revela o tamanho do desafio.

E alfabetização não é apenas uma ferramenta para decifrar palavras. É uma das bases para compreender textos, comparar informações, identificar contradições e participar da vida social com maior capacidade crítica.

O conhecimento aceita a dúvida; a ignorância prefere a certeza.

Fonte: ART Notícias

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