A dois meses da eleição de outubro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta duas frentes de crise diplomática que podem atrapalhar o petista no objetivo de avançar sobre eleitores indecisos, segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil.De um lado, está mais um capítulo da crise com os Estados Unidos de Donald Trump, que revogou o visto da embaixadora do Brasil no país; do outro, menos influente, está a piora na relação com a Argentina de Javier Milei, que tem feito críticas ao presidente brasileiro, levando o Itamaraty a rebaixar o nível das relações diplomáticas com Buenos Aires.
Para o cientista político Hilton Fernandes, do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), ao criar uma série de situações negativas na relação Brasil-EUA, seja com as tarifas, a classificação de organizações criminosas como terroristas e, agora, com a retirada do visto da embaixadora, Trump provoca um peso sobre o governo Lula.
“O governo terá de se defender e, como consequência, pode alimentar o discurso da oposição de ser um governo radical, antiamericano, comunista”, avalia.
A também cientista política Mayra Goulart, coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ressalta, porém, que a proximidade das novas crises ao período de campanha, que tem início em 16 de agosto, oferece menos possibilidades de se conquistar o pequeno grupo de eleitores que flutuam entre os dois candidatos.
Fonte : BBC Brasil




