A empresa que move a maior rede de pagamentos do mundo decidiu demitir 7% do próprio quadro em um único anúncio. São cerca de 2.600 vagas, concentradas justamente onde a inteligência artificial mais avançou dentro da companhia: nos times de tecnologia e de produto.
A Visa vai demitir cerca de 2.600 funcionários, o equivalente a 7% de toda a força de trabalho, segundo informação confirmada por um porta voz da empresa nesta terça feira, 28 de julho de 2026. O corte atinge principalmente as equipes de tecnologia e de produtos, em uma reestruturação que a companhia associa à busca por eficiência e ao aumento dos investimentos em inteligência artificial. A decisão vem cerca de seis meses depois de movimento semelhante feito pela principal concorrente da empresa, e chega no mesmo dia em que a processadora de pagamentos apresenta seu balanço trimestral ao mercado.

O tamanho do corte: 2.600 vagas em um quadro de 34 mil
O número absoluto assusta menos que o percentual. Segundo o relatório anual referente a 2025, a Visa contava com cerca de 34.100 funcionários no ano fiscal de 2025, um crescimento de 8% em relação ao período anterior. Ou seja, a empresa vinha contratando antes de decidir demitir. Por que tecnologia e produto foram os alvos
A decisão de demitir justamente nessas áreas chama atenção porque contraria o senso comum sobre onde uma empresa corta primeiro. Não são áreas administrativas ou de suporte, são justamente os times ligados ao desenvolvimento do que a companhia vende: tecnologia e produto. São também as equipes que estiveram sob maior pressão para inovar em ritmo acelerado nos últimos anos, período em que o setor de pagamentos absorveu carteiras digitais, transferências instantâneas e novas formas de liquidação. Cortar onde se constrói produto é uma aposta de que a mesma entrega pode ser feita com menos gente, e é essa premissa que está no centro do debate provocado pelo anúncio.
O que diz o memorando do presidente executivo
A justificativa oficial veio em um memorando interno assinado por Ryan McInerney, presidente executivo da companhia, cujos trechos foram confirmados pelo porta voz. Nele, o executivo afirma ter profunda convicção de que a empresa está fazendo o que é certo para si, para os clientes e para os parceiros, mantendo o foco em promover eficiência para reinvestir nas oportunidades de maior potencial.
Em outro trecho, McInerney sustenta que as escolhas feitas nos últimos anos colocaram a companhia em uma nova era do comércio, com um negócio que tem impulso real, e defende que a empresa precisa continuar evoluindo na forma como opera para se manter à frente das mudanças do setor. A palavra que se repete no texto é eficiência, e é ela que sustenta a decisão de demitir mesmo em um momento de resultados sólidos.
Para onde vai o dinheiro que sai da folha
O dinheiro que deixa de sair na folha depois de demitir tem destino anunciado. A companhia não trata o corte como economia pura, e sim como realocação. O capital liberado deve ser direcionado a frentes consideradas de maior crescimento, entre elas pagamentos ao consumidor, soluções comerciais e de movimentação de dinheiro e a categoria chamada de serviços de valor agregado.




