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Economia

Uso de verba pública para shows: o dinheiro volta para a economia local ou beneficia poucos?

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O levantamento que identificou R$ 2,22 bilhões em contratos públicos para shows no Nordeste entre janeiro de 2024 e março de 2026 reacendeu um debate antigo: afinal, grandes apresentações artísticas representam apenas gasto público ou também funcionam como investimento para a economia local? O estudo mostra que, das 7.412 apresentações analisadas no período, 5.818 ocorreram na região Nordeste, consolidando a região como principal destino dos shows financiados por estados e municípios.

Antes de mais nada, o estudo é do observatório “De Olho nos Ruralistas e os números impressionam. Ao mesmo tempo, o volume de contratos de shows diretos com as prefeituras se aproxima do recorde anual de captação da Lei Rouanet, que movimentou R$ 3,41 bilhões em 2025. Contudo, tem uma grande diferença: enquanto a Rouanet financia milhares de projetos culturais de diferentes áreas, os contratos que tiveram análise do estudo correspondem a pagamentos para apresentações de um grupo restrito de artistas.

A princípio, a partir desses dados surge uma questão que divide gestores públicos, economistas e especialistas em eventos. O dinheiro fica na cidade? A resposta não é simples e complicada para dar a resposta.

Quando uma prefeitura contrata um grande show, parte significativa do recurso vai diretamente para o cachê do artista, equipe técnica, transporte, produção e estrutura do espetáculo. Mas o evento também costuma movimentar diversos segmentos da economia local.

Quem ganha quando acontece um grande show?

Na prática, um evento de grande porte costuma gerar demanda para diversos setores:

SetorComo é beneficiado
Hotéis e pousadasHospedagem de turistas, artistas e equipes técnicas
Restaurantes e baresAumento do consumo durante o evento
Comércio ambulanteVenda de alimentos, bebidas e souvenirs
TransporteAplicativos, táxis, ônibus e estacionamento
Postos de combustíveisMaior circulação de veículos
SupermercadosAbastecimento de comerciantes temporários
Empresas de estruturaPalco, som, iluminação e banheiros químicos
Segurança privadaContratação temporária
Limpeza urbanaReforço de equipes e serviços
TurismoPermanência maior de visitantes na cidade

Economistas chamam esse movimento de efeito multiplicador, quando um gasto inicial gera novas receitas em diferentes atividades  econômicas. Uma apresentação inserida em uma festa tradicional, como São João, Carnaval ou festa de padroeiro, tende a atrair turistas que permanecem mais tempo na cidade e consomem hospedagem, alimentação e lazer.

Já eventos voltados predominantemente ao público local podem ter um impacto econômico mais limitado, concentrando os benefícios em alguns segmentos específicos.

Por isso, especialistas em economia regional costumam defender que o retorno precisa de estudo caso a caso. Dessa forma, considera fatores como fluxo turístico, geração de empregos temporários e arrecadação adicional de impostos.

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