O Fundo Monetário Internacional elevou a projeção de crescimento do Brasil para 2,4% em 2026 e divulgou a primeira radiografia completa do sistema financeiro brasileiro desde 2018. O Fundo também apontou os gargalos que seguem travando o país, e explicou que parte da melhora veio do petróleo.
O Fundo Monetário Internacional passou a projetar crescimento de 2,4% para a economia do Brasil em 2026, contra os 1,9% estimados em abril, e elevou também a previsão para 2027, de 2% para 2,2%. Os números aparecem nos principais relatórios do Fundo sobre o país, divulgados em 23 de julho de 2026 e aprovados pela Diretoria Executiva no dia 20, um pacote que inclui a supervisão anual prevista no Artigo 4º do Acordo Constitutivo e a Financial System Stability Assessment, a FSSA, avaliação aprofundada do sistema financeiro que não era feita no Brasil desde 2018. O conjunto foi noticiado pela Revista Fórum, com base em dados do Fundo e em avaliação divulgada pelo Ministério da Fazenda.

Segundo a leitura do ministério, a revisão coloca o Brasil entre as economias do G20 com maior melhora nas projeções, atrás apenas da China. Na parte financeira, o diagnóstico do Fundo classifica o setor como sólido, resiliente e com riscos sistêmicos contidos. E há um dado que costuma ficar de fora do resumo: parte da revisão positiva foi atribuída pelo próprio Fundo à melhora dos termos de troca dos exportadores de petróleo situados fora da zona de conflito no Oriente Médio, grupo em que o Brasil se encaixa.
Dois relatórios diferentes, em duas datas diferentes
Convém separar os documentos, porque a confusão entre eles é a origem de boa parte do ruído nessa cobertura. A revisão de 1,9% para 2,4% apareceu primeiro na atualização de julho do World Economic Outlook, o relatório global do Fundo, divulgada no dia 8 de julho de 2026. Foi ali que o número mudou. O que saiu em 23 de julho é outra coisa. São os relatórios específicos sobre o Brasil: a supervisão anual do Artigo 4º, que é a avaliação periódica que o Fundo faz de cada país membro, e a FSSA, que é a análise aprofundada do sistema financeiro. Esses documentos não criaram a projeção de 2,4%, eles a incorporaram e a detalharam, com o diagnóstico completo sobre contas públicas, bancos e reformas.
A distinção importa por uma razão prática. Uma projeção global revisada é rotina de calendário e muda a cada três meses. Uma FSSA é evento raro: a anterior sobre o Brasil havia sido feita em 2018, ou seja, oito anos antes, o que significa que o país passou por pandemia, choque inflacionário global e mudança de ciclo de juros sem esse tipo de radiografia completa.




