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Piauí

Inauguração do Porto Piauí, gera uma operação economicamente deficitária

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Estaria tudo bem não fosse o fato de que o navio que ele mostrou, que estava ali ancorado (não na barra do porto e sim no meio do leito do Rio Igaraçu), é de médio porte, só tem capacidade para 9 mil toneladas, e vai servir para frete de transbordo para um outro navio de grande porte de classe oceânica, que está ancorado entre 25 km a 37 km do porto de Luís Correia.

Observai bem: Para levar as 120 mil toneladas, serão necessários 2.400 caminhões vindos de Piripiri, pois a legislação brasileira não permite trafegar nas estradas públicas cargas acima de 50 toneladas, além disso, o navio ali mostrado, o Konta II, de médio porte, terá que efetuar 13 ações de carregamento e descarregamento para completar a carga do graneleiro, o Marine Victory, que seguirá para a China.

Esta operação, de acordo com a movimentação dos mercados, renderá um valor bruto, para o vendedor, minerador que extraiu os minérios, de R$ 60.000.000 (sessenta milhões) calculando o preço da tonelada minério de ferro a R$ 500 /ton que é em média o preço flutuante de mercado. Varia na bolsa entre 45 e 80 dólares, lembrando que o minério de ferro é uma commodity mineral sujeita às oscilações da bolsa de valores.

Estimativa custos e Logística: Os custos com o transporte do ferro de Piripiri a Luis Correia importa em 45 milhões, levando em conta que são necessários 450 caminhões a um custo frete de R$ 7,50 Km. Esta operação rodoviária deve tardar em torno de 2 meses. O transbordo entre navios acresce um custo de R$ 25 milhões uma vez que são necessárias 13 viagens da embarcação menor no litoral piauiense, e mais 13.000 km para chegar na China, além das 45 diárias de USD 20.000 por dia, uma vez que o navio maior terá que esperar com toda a tripulação, ser abastecido com a carga negociada.

No total, o custo do transporte do minério de ferro custará mais de R$ 100 milhões aos cofres públicos só para entregar aos chineses. E vai ter pagar ao minerador os R$ 60 milhões da mercadoria. Pelos vistos esse é um dinheiro a fundo perdido, perdido mesmo.

Empolgado com o argumento no qual certamente despejará uma boa soma em propaganda nas emissoras locais, o governador já fala em começar a carregar para exportação grãos do tipo soja, milho, esquecendo que a soja está a 700 km do porto e para tal tem que pensar nas eclusas da boa esperança, ou na ferrovia ligando Eliseu Martins a Parnaíba. Sem ferrovia não tem como viabilizar economicamente nenhuma operação seja ela ferrífera ou graneleira. O modal de transporte interno, da produção até o porto vem antes de qualquer coisa. A atitude de concluir o porto após de 116 anos é louvável mas faltou estudo para não gerar um visível prejuízo .

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