As despesas do governo federal caminham em direção ao maior patamar da história, alcançado em novembro de 2020. No período, os gastos da União somaram R$ 2,822 trilhões no acumulado de 12 meses, com dados atualizados pela inflação.
Agora, os dados de maio divulgados na última segunda-feira (29) mostram uma distância de R$ 189,5 bilhões do ápice da pandemia.

De acordo com o economista Alexandre Schwartsman, as despesas têm sido pressionadas principalmente pelo crescimento dos gastos com a previdência e o BPC (Benefício de Prestação Continuada).
Em maio, a Previdência custou R$ 1,117 trilhão no acumulado de 12 meses. É mais do que o dobro do que o governo gasta com pessoal: R$ 440,1 bilhões. Na avaliação de Schwartsman, o ritmo de crescimento das despesas não é compatível com as regras do arcabouço fiscal.
O economista explica que o governo adota uma política que garante o reajuste do salário mínimo com base na inflação (medida pelo INPC) e isso faz com que os gastos obrigatórios – como Previdência e BPC – cresçam automaticamente, pressionando ainda mais o espaço do orçamento para investimentos.
“A despesa não pode crescer mais do que 2,5% ao ano acima da inflação, e o que a gente vê é que esse conjunto de regras que determinam a evolução do gasto obrigatório – previdenciário, funcionalismo, programa social, piso de saúde, educação – leva um crescimento da despesa obrigatória que supera o crescimento máximo permitido pelo arcabouço fiscal”, disse Schwartsman ao CNN Money.

