Perfurando o leito do oceano em busca de respostas sobre o planeta, uma equipe internacional de cientistas confirmou pela primeira vez, com detalhes, a existência de gigantescos reservatórios de água doce escondidos debaixo do fundo do mar salgado, perto de várias costas do mundo, reservas que um dia podem virar fonte de água potável para regiões castigadas pela seca.
Parece contradição, mas é real: existe água doce embaixo do mar. Há tempos os cientistas suspeitavam de bolsões de água potável presos em camadas de rocha e sedimento sob o oceano, mas faltava prova firme. Agora, uma campanha de perfuração científica no fundo do mar trouxe as primeiras evidências detalhadas desses aquíferos escondidos, mudando o que se sabia sobre a água do planeta. A descoberta não veio de uma sonda de petróleo, e sim de navios e equipamentos dedicados à ciência, que furam o leito oceânico para entender a história e a estrutura da Terra. Ao perfurar, os pesquisadores encontraram água com baixíssima salinidade onde se esperava apenas água do mar, confirmando os tais aquíferos submarinos.

A descoberta veio de navios dedicados à perfuração científica do leito oceânico.
Como a água doce foi parar sob o mar
A explicação está na história do clima. Durante as eras glaciais, quando boa parte da água do planeta estava presa em geleiras, o nível do mar era muito mais baixo, e regiões hoje submersas eram terra seca. A chuva se infiltrava nesse solo e formava lençóis de água doce. Quando o gelo derreteu e o mar subiu, essa água ficou aprisionada embaixo, selada por camadas de argila que impediram a mistura com o oceano salgado. São, portanto, reservas formadas ao longo de milhares de anos, verdadeiras cápsulas do tempo hídricas guardadas sob o leito do mar. Os cientistas estimam que o volume total dessas águas espalhadas pelas plataformas continentais do mundo seja gigantesco, possivelmente comparável a grandes lagos ou mais.
Mapear onde elas estão e quão puras são é justamente o objetivo da perfuração científica que fez a descoberta.

