quarta-feira, 3 de junho de 2026
Política

Fim da escala 6X1: Flávio Rocha, dono da Riachuelo, afirma que os custos do varejo vão subir até 20%.

No mesmo Fórum Brasil 2026 onde Luciano Huck causou polêmica com o Bolsa Família, o dono da maior rede de lojas de moda do Brasil alertou que o fim da escala 6×1 pode gerar inflação, demissões em massa e falência de pequenas empresas, mas o Ipea calculou que o impacto real no varejo e na indústria fica abaixo de 1%

A PEC que acaba com a escala 6×1 foi aprovada na Câmara dos Deputados na quarta-feira (27) com 461 votos a favor e apenas 19 contrários. Agora o texto está no Senado. Enquanto 14,8 milhões de trabalhadores aguardam a promulgação, o setor empresarial segue na ofensiva contra a mudança e um dos nomes mais conhecidos do varejo brasileiro entrou no debate com números que rapidamente dividiram opiniões. Flávio Rocha, herdeiro do Grupo Guararapes e dono da Riachuelo, afirmou no sábado (23), durante painel do Fórum Brasil 2026, no Guarujá (SP), que o fim da escala 6×1 vai elevar os custos do varejo entre 18% e 20%, pressionar a inflação e forçar as empresas a escolher entre duas saídas: repassar tudo ao preço ou demitir.

O que Flávio Rocha disse no Guarujá

A declaração foi feita no mesmo evento onde o apresentador Luciano Huck gerou polêmica ao criticar o Bolsa Família dias antes. Rocha participou de um painel sobre economia e trabalho e foi direto ao ponto.

“No caso do varejo, o impacto é maior, porque o setor é mais dependente de mão de obra. Então, imaginamos que o custo vá subir na casa de 18% a 20%”, afirmou o empresário. “Isso vai precisar ser repassado aos preços, para preservar margens, ou levará à redução do número de empregados.”

Segundo Rocha, estudos internos da Riachuelo apontam impacto médio de 13% nos custos gerais das empresas com a mudança da jornada. No varejo, por ser um setor com alta dependência de pessoal, o efeito seria ainda mais severo. O empresário alertou que o maior risco recai sobre as pequenas e médias empresas, que hoje respondem pela maior parte dos empregos formais do país e, segundo ele, não teriam fôlego para absorver o aumento de custos sem cortar vagas ou fechar as portas.

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