O Governo dos Estados Unidos elevou a tensão comercial com o Brasil ao concluir uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana e propor uma tarifa adicional de 25% sobre mercadorias brasileiras. Caso seja confirmada após as audiências públicas previstas para junho e julho, a medida poderá entrar em vigor a partir de 15 de julho de 2026.
Embora diversos produtos tenham sido incluídos em uma lista de exceções, a decisão acendeu um alerta entre exportadores brasileiros. Antes de mais nada, pode afetar diretamente segmentos importantes da economia nordestina, especialmente aqueles que dependem do mercado norte-americano.
Economia
Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o recém-assinado acordo entre Mercosul e União Europeia pode ganhar ainda mais importância e funcionar como uma alternativa estratégica para empresas da região reduzirem sua dependência dos Estados Unidos.
O Nordeste pode sentir os impactos
A princípio, os Estados Unidos continuam entre os principais destinos das exportações brasileiras de produtos industrializados, alimentos processados e itens ligados ao agronegócio.
Dessa forma, no Nordeste, alguns segmentos possuem forte exposição ao mercado norte-americano.
Setores nordestinos potencialmente afetados
| Segmento | Principais estados |
|---|---|
| Pescados e camarão | Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia |
| Calçados | Ceará, Bahia e Paraíba |
| Têxtil e confecções | Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte |
| Rochas ornamentais | Bahia e Ceará |
| Produtos químicos e petroquímicos | Bahia e Sergipe |
| Açúcar e derivados | Pernambuco, Alagoas e Paraíba |
A boa notícia para parte do agronegócio nordestino é que a lista preliminar divulgada pelos Estados Unidos inclui exceções para diversos produtos agrícolas, como algumas frutas, café, especiarias, sementes e determinados produtos alimentícios.
Vale do São Francisco pode encontrar saída na Europa

Um dos exemplos mais interessantes envolve o polo de fruticultura irrigada do Vale do São Francisco, responsável por grande parte das exportações brasileiras de manga e uva.
Recentemente, produtores da região comemoraram avanços relacionados ao acordo Mercosul-União Europeia, que prevê redução ou eliminação gradual de tarifas para diversos produtos agrícolas brasileiros. Negociado por mais de duas décadas, o acordo entre Mercosul e União Europeia é considerado um dos maiores tratados comerciais do mundo.
Quando estiver plenamente implementado, o acordo criará uma área econômica envolvendo mais de 700 milhões de consumidores.

