A prática da medicina tradicional pode, de fato, representar um futuro promissor no desenvolvimento de medicamentos. Ainda, a análise da atividade farmacológica de diversos produtos naturais pode tornar possível o desenvolvimento de terapias de baixo custo a serem utilizadas em regiões economicamente desprivilegiadas. Contudo, cabe dizer que na ausência de base científica tais práticas podem gerar sérios danos à saúde. O uso abusivo e inadvertido de plantas medicinais é citado hoje como um importante problema de saúde para as populações, em particular por sua toxidez.

Baseadas na medicina tradicional, diversas drogas foram descobertas através de estudos etnofarmacológicos, que levam em consideração o conhecimento popular sobre o uso terapêutico de produtos naturais. Medicamentos hoje produzidos em laboratório foram descobertos em planas, tais como o ácido acetilsalicílico (Filipendula ulmaria), a digoxina (Digitalis lanata), morfina (Papaver somniferum), e a quinina (Cinchona pubescens). É curioso notar que boa parte das drogas utilizada clinicamente para o combate a mico-organismos infecciosos é derivada de produtos naturais. A quinina e a cloroquina (C. pubescens) e a artemisinina (Artemisia annua) são importantes compostos antimalária, doença causada pelo protozoário Plasmodium falciparum. Já a emetina, composto obtido das raízes de Cephaelis ipecacuanha, é um potente agente no combate a Entamoeba histolytica, protozoário causador da amebíase. Dentre os produtos naturais, as plantas são certamente uma importante fonte de substâncias candidatas a novas drogas. Dados da OMS mostram que cerca de 25% das drogas prescritas mundialmente vêm das plantas e, das 252 drogas consideradas como básicas e essenciais pela OMS, 11% são exclusivamente originárias de plantas e um número significativo são drogas sintéticas obtidas a partir de precursores naturais

