Em 1989, um morador de Blaubeuren, na Alemanha, achou uma rocha estranha ao cavar o jardim e a deixou de lado por três décadas. Só em 2020 descobriu que se tratava de um meteorito de 30,26 kg o maior meteorito rochoso já registrado no país, com 4,5 bilhões de anos.
Às vezes, o maior tesouro está bem debaixo dos nossos pés e a gente nem percebe. Foi o que aconteceu com um morador da pequena cidade de Blaubeuren, no sul da Alemanha, que passou 31 anos ignorando um meteorito no próprio quintal. Segundo o Centro Aeroespacial Alemão (DLR) e a Universidade de Münster, a rocha se revelou o maior meteorito rochoso já encontrado no país. A descoberta começou de forma banal, em 1989, quando o homem cavava uma vala para passar cabos e sua pá bateu em uma pedra estranhamente pesada. Ele a deixou de lado por décadas, até que, em 2020, resolveu investigar e ouviu dos cientistas que tinha em casa um pedaço do início do Sistema Solar, com 4,5 bilhões de anos.
Uma “pedra pesada e magnética” na vala do jardim

Tudo começou com uma obra simples. Em 1989, o morador cavava uma vala para cabos em sua propriedade, na região da Suábia, quando a pá atingiu uma rocha de 28 por 25 por 20 centímetros. Ao erguê-la meio metro até a superfície, notou que ela era surpreendentemente pesada o primeiro sinal de que aquilo não era uma pedra qualquer, mas um daqueles meteoritos que cruzam o espaço até cair na Terra.
Curioso, ele aproximou um ímã do bloco angular e confirmou que havia ferro ali dentro. Ainda assim, sem imaginar o que tinha em mãos, largou a rocha num canto do jardim, onde ela ficaria esquecida por muito tempo.
É até compreensível que ninguém desconfiasse. Os meteoritos costumam ter uma crosta escura característica, formada pelo aquecimento durante a queda em alta velocidade pela atmosfera. O calhau de Blaubeuren, porém, estava tão desgastado que nem um especialista imaginaria sua origem cósmica só de olhar.

31 anos ignorado e quase jogado fora
O que impressiona é a paciência do acaso. A rocha permaneceu no jardim até 2015, se deteriorando com o tempo, tratada como um simples estorvo que atrapalhava a obra. O meteorito chegou perto de acabar no lixo. “O bloco estava no reboque, pronto para ser levado embora”, contou o descobridor. Por sorte, ele repensou a ideia na última hora e transferiu a pedra para o porão, onde a guardou seca dentro de um armário decisão que salvou o achado.
O palpite que mudou tudo: um telefonema ao DLR
Foi só muitos anos depois que a ficha caiu. Em janeiro de 2020, o morador decidiu descobrir de uma vez a composição e a história da estranha rocha e entrou em contato com o Instituto de Pesquisa Planetária do DLR.
Na instituição, a diretora Heike Rauer e o pesquisador Jürgen Oberst o colocaram em contato com Dieter Heinlein, especialista em meteoritos do DLR em Augsburg. Após conversas por telefone e o envio de imagens, o descobridor mandou ao cientista um pequeno fragmento de 23,4 gramas para análise. Bastou uma olhada para o especialista suspeitar. Heinlein logo reconheceu a presença de minério de ferro, mas foi ao cortar o pedaço com uma serra diamantada que teve a confirmação: diante dele havia uma matriz de côndrulos milimétricos, pequenas esferas típicas dos meteoritos rochosos.
E essas esferas contam uma história antiquíssima. Elas se formaram durante o nascimento do Sistema Solar, há 4,5 bilhões de anos, e são os blocos de construção originais de todos os planetas.
Ao ver também as inclusões metálicas características, Heinlein não teve dúvidas: “Eu tive quase certeza imediatamente de que se tratava de um fragmento de meteorito”, afirmou.

