quarta-feira, 3 de junho de 2026
Tecnologia

Na era da inteligência artificial, uma profissão vive alta: o especialista em cibersegurança

Se o Mythos, da Anthropic, e o GPT-5.4-Cyber, da OpenAI, foram apresentados como modelos capazes de detectar e explorar vulnerabilidades, a conclusão rápida parece bastante evidente: os profissionais de cibersegurança poderiam começar a sobrar. Afinal, estamos falando de modelos voltados para atuar em um dos terrenos mais delicados da tecnologia: encontrar falhas antes que outros as aproveitem. A resposta, pelo menos por enquanto, vai no sentido oposto dessa primeira intuição. A IA não está tornando o especialista irrelevante. Pelo contrário: hoje, ele é mais necessário do que nunca.

Esse sinal já começa a aparecer com clareza nos EUA, onde o The New York Times traz números e depoimentos sobre uma tendência que vem ganhando força: a contratação de profissionais de cibersegurança. O jornal aponta que as vagas do setor cresceram 11% em relação ao ano anterior no primeiro trimestre, segundo a Glassdoor, e relata como algumas empresas de recrutamento executivo estão recebendo mais pedidos para encontrar responsáveis com experiência em violações de segurança, proteção de dados e revisão de código. O motivo não é apenas proteger dados. Também é necessário responder a incidentes e entender como a IA muda a superfície de risco das empresas.

O ponto central é que essa nova camada de IA não muda apenas as ferramentas de quem protege os sistemas. Ela também modifica as possibilidades de quem tenta comprometê-los. A Reuters apontou há alguns dias que os atacantes estão usando cada vez mais IA para detectar vulnerabilidades, enquanto a Check Point alertou em seu Relatório de Cibersegurança 2026 que os ataques com IA passaram da fase experimental para uma aplicação criminosa rotineira.

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