Dois estudos conseguiram alterar letras específicas do DNA embrionário com menos danos cromossômicos, porém erros fora do alvo, mosaicismo, limitações legais e preocupações éticas mantêm a tecnologia distante de aplicações em gestações humanas
A edição genética de embriões humanos alcançou precisão inédita em dois novos estudos com material doado por pacientes de fertilização in vitro. A técnica conseguiu modificar letras específicas do DNA com menos danos cromossômicos, mas alterações indesejadas e células não editadas ainda impedem qualquer aplicação clínica segura. Tratamentos de edição genética já são utilizados para combater doenças hereditárias graves. Essas terapias podem aliviar sintomas e salvar vidas, mas geralmente modificam apenas células do paciente tratado.
Isso significa que a mutação responsável pela doença ainda pode ser transmitida aos filhos. Para impedir essa herança, seria necessário alterar o DNA de óvulos, espermatozoides ou embriões, processo conhecido como edição da linhagem germinativa humana. A prática é considerada perigosa pelo consenso científico e está submetida a restrições legais em 70 países.
Mesmo assim, os novos resultados indicam que algumas das limitações técnicas podem estar sendo reduzidas.

Amander Clark, professor de biologia molecular, celular e do desenvolvimento da Universidade da Califórnia em Los Angeles, afirmou que anteriormente considerava inviável editar geneticamente embriões humanos.
Segundo Clark, que não participou dos estudos, o novo trabalho recupera a possibilidade de que a edição genética terapêutica possa ser utilizada futuramente em embriões produzidos por fertilização in vitro.
Os próprios pesquisadores, porém, destacam que ainda existem obstáculos importantes. Entre eles estão o mosaicismo, quando apenas parte das células recebe a alteração planejada, e as modificações fora do alvo, que atingem regiões não desejadas do DNA.

