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Jaguar Land Rover encerra fábrica no Brasil depois de quase 10 anos

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A paralisação da produção da Land Rover em Itatiaia colocou a antiga planta premium no centro de uma negociação que envolve trabalhadores, governo local e a chegada da Omoda & Jaecoo, marca ligada à Chery que busca ampliar presença industrial no Brasil.

Dentro da fábrica de Itatiaia, no Rio de Janeiro, o silêncio passou a ocupar o espaço que antes era tomado pela montagem de SUVs premium da Land Rover. A unidade que nasceu como símbolo da produção nacional de carros de luxo deixou de fabricar modelos como Discovery Sport e Range Rover Evoque, enquanto 371 trabalhadores diretos aguardam uma resposta sobre o próprio futuro.

O número mais forte está nas vendas. Entre janeiro e maio de 2026, os dois modelos somaram apenas 264 emplacamentos no Brasil. Para uma fábrica criada para montar veículos de alto valor agregado, o volume ficou distante do necessário para sustentar a operação.

Agora, o que era uma linha da Jaguar Land Rover pode virar peça de uma disputa maior: a tentativa da chinesa Chery, dona das marcas Omoda e Jaecoo, de ampliar sua presença industrial no país.

Uma fábrica criada para colocar o luxo sobre rodas no Brasil

A fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia foi inaugurada em 14 de junho de 2016 e marcou a primeira linha de produção local da Land Rover na América Latina. Segundo a própria Land Rover Brasil, o projeto recebeu investimento de R$ 750 milhões e começou com a missão de produzir nacionalmente o Discovery Sport.

Na época, a chegada da unidade foi tratada como um passo importante para o setor automotivo brasileiro. A expectativa inicial era de capacidade para 24 mil veículos por ano e cerca de 400 empregos diretos.

Mas a realidade do mercado premium cobrou seu preço. A fábrica operava com volumes baixos, voltada a um público restrito e dependente de modelos caros, em um segmento no qual qualquer queda de demanda pesa rapidamente sobre a operação.

O modelo de montagem que limitava a operação

Além das vendas fracas, havia outro ponto sensível: a forma como os veículos eram montados. Segundo a Quatro Rodas, a unidade funcionava no regime SKD, sistema em que partes do carro chegam do exterior praticamente prontas e a montagem final acontece no país.

Na prática, isso mantinha a fábrica muito dependente de componentes importados e com menor nacionalização. A operação brasileira existia, mas não tinha o mesmo peso industrial de uma planta com produção mais profunda e cadeia local mais ampla.

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