Enquanto o jumento ainda é visto como animal símbolo do Brasil rural, um novo e polêmico mercado se espalha pelo país: frigoríficos especializados abatem milhares de jumentos por semana, exportam couro para a China e acendem o alerta de extinção da espécie em poucas décadas se nada mudar.
O jumento, que por muito tempo puxou carroça, carregou água e simbolizou a resistência do sertanejo, hoje está no centro de um negócio bilionário e altamente controverso. Existe abate de jumento no Brasil em escala industrial, com plantas na Bahia chegando a centenas e até milhares de animais abatidos por semana, movidas por uma cadeia internacional em que o verdadeiro “ouro” é o couro enviado para a China.

De animal símbolo a matéria-prima, surgiram frigoríficos que “fazendas invisíveis”, abatem milhares por semana, exportam couro para a China e colocam a espécie à beira da extinção. De um lado, esse mercado promete empregos e renda em cidades pequenas. Do outro, surgem denúncias de maus-tratos, pressão sobre o rebanho e risco real de desaparecimento do jumento em várias regiões.
Ao longo deste texto, vamos entender como surgiram esses frigoríficos de jumento, por que a China está no centro da demanda, como funcionam as chamadas “fazendas invisíveis” espalhadas pelo campo e por que especialistas e organizações já falam em ameaça concreta à sobrevivência do jumento no Brasil.
O mundo mudou. Motocicletas, carros e máquinas agrícolas foram ocupando o espaço do jumento, e muita gente simplesmente parou de criar.
Sem função clara em muitas propriedades, o jumento passou a sobrar. Animais foram sendo soltos em estradas, áreas rurais e arredores de cidades.

Em vários municípios, o jumento deixou de ser visto como patrimônio e passou a ser tratado como problema, aparecendo em relatos de acidentes em rodovias, invasão de roças e apreensões por órgãos públicos.
É nesse contexto que o jumento volta ao centro do mapa, mas por um motivo totalmente diferente: o interesse crescente de frigoríficos em abater jumento para aproveitar carne e, principalmente, couro destinado à exportação.
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