Meta está gastando milhões de dólares para nos convencer de que data centers são legais

Segundo investigação do NYT, empresa gastou 6,4 milhões de dólares para convencer opinião pública por meio de publicidade. No Brasil, ainda não surgiram críticas ao processo de instalação que está ocorrendo na cidade de Fortaleza, estado do Ceará, mas tão logo as autoridades ambientais acordem para o fato devem surgir protestos…

A Meta gastou US$ 6,4 milhões numa campanha publicitária entre novembro e dezembro do ano passado para convencer o público americano dos benefícios de seus data centers, de acordo com o New York Times. Os anúncios, veiculados em oito capitais estaduais e em Washington, D.C., retratavam imagens idealizadas de cidades americanas revitalizadas por essas instalações.

Há uma crescente rejeição social à instalação de data centers dedicados à IA, especialmente devido ao impacto que eles causam no consumo excessivo de recursos básicos como eletricidade e água. Claro, primeiro é preciso convencer a população de que esses data centers são essenciais para que a Meta e as demais grandes empresas de tecnologia continuem operando.

Maquete de um dos Data Center de Fortaleza – considerado o maior Hub do Ocidente.

Até então, o maior data center projetado (já em operação) em Fortaleza é o Mega Lobster inaugurado pela Tecto em outubro de 2025 na Praia do Futuro. Com investimento de R$ 550 milhões, o complexo de 13 mil m² possui 20 MW de potência total, 10 data halls e está conectado a múltiplos cabos submarinos. Dentro desse padrão, Tic-Toc, Amazon, Google, Mega e Omnia estarão sendo instalados na capital Cearense nos próximos dois anos. Para que isso venha a acontecer fez-se necessário que a Casa dos Ventos investir US$ 2 bi em energias limpas para abastecer essa demanda gigantesca de energia. 

A campanha

De acordo com Michael Beach, CEO da Cross Screen Media, a Meta “pode ​​ter comprado esses anúncios com o objetivo de influenciar decisões políticas e alcançar legisladores”. Ryan Daniels, porta-voz da Meta, disse ao NYT apenas que a empresa arca com todos os custos da energia utilizada por seus data centers, sem comentar a campanha publicitária.

Meta não está sozinha

Como relatado pelo NYT, a Amazon está financiando uma campanha semelhante na Virgínia por meio da Virginia Connects, uma organização sem fins lucrativos criada pela Data Center Coalition. O Financial Times também destaca que outras operadoras, como Digital Realty, QTS e NTT Data, estão atuando com mais intensidade para defender a construção de novas instalações.

Resistência

Nos Estados Unidos, a rejeição social levou ao cancelamento de projetos multimilionários no Oregon, Arizona, Missouri, Indiana e Virgínia. O senador democrata Chris Van Hollen explicou ao NYT que a questão se tornou uma “prioridade no Capitólio” quando seus eleitores começaram a reclamar em massa das contas de luz.

Como o veículo de comunicação compartilha, neste mês, Van Hollen apresentou um projeto de lei para regulamentar o consumo de energia dos data centers. Até mesmo o presidente Donald Trump se manifestou sobre o assunto: “As grandes empresas de tecnologia que os constroem devem pagar a própria conta”, escreveu ele algumas semanas atrás no Truth Social.

Conta de luz

Os data centers se tornaram infraestruturas críticas para o desenvolvimento da inteligência artificial, mas há uma crescente tensão social em relação à sua instalação. Em outubro, a Bloomberg noticiou que, nos últimos cinco anos, o preço da eletricidade no mercado atacadista em áreas próximas a grandes concentrações de data centers nos Estados Unidos aumentou em até 267%. Em Baltimore, os moradores pagavam US$ 17 por megawatt-hora em 2020; em 2025, esse valor chega a US$ 38.

Por outro lado, a investigação da mídia mostrou que 70% dos pontos onde foram registrados aumentos no preço da eletricidade estavam localizados a menos de 80 quilômetros de data centers com atividade significativa. A Bloomberg estima que a demanda de energia para essas instalações nos Estados Unidos dobrará até 2035, representando o maior aumento desde a década de 1960.

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