Mauro Vieira e Marco Rúbio retomam diálogo entre Brasil e EUA

O ministro das  Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone neste sábado com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rúbio. De acordo com nota breve divulgada pelo Itamaraty, os dois trataram de temas centrais da agenda entre os países, com foco em comércio e cooperação na área de segurança.

O diálogo também incluiu a preparação da futura viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington. Embora a data ainda não tenha sido oficialmente confirmada, o próprio presidente já indicou que pretende realizar o encontro em março. Lula afirmou nesta semana que deseja conversar com Donald Trump “olho no olho” sobre os rumos da relação entre as duas nações.

A conversa entre Vieira e Rubio ocorre poucos dias após um telefonema entre Lula e Trump. Segundo o Palácio do Planalto, os presidentes discutiram tanto assuntos bilaterais quanto temas da agenda global, sinalizando disposição de ambos os lados para reconstruir canais institucionais de diálogo.

Tentativa de distensão

O contato direto entre os chanceleres é interpretado como parte de um esforço para reduzir tensões acumuladas nos últimos meses. A relação entre os dois países passou por um período de desgaste, marcado por críticas públicas de integrantes do governo americano a decisões do Judiciário brasileiro, além da imposição de tarifas sobre produtos nacionais e debates em Washington sobre possíveis sanções individuais contra autoridades brasileiras.

Diante desse cenário, o governo brasileiro intensificou nas últimas semanas a aproximação com a nova equipe diplomática dos EUA. A estratégia busca diminuir ruídos políticos e destravar negociações que ficaram paralisadas ao longo de 2025.

Fontes do Itamaraty avaliam que a retomada de um canal estável com o Departamento de Estado é essencial para avançar em pautas consideradas sensíveis, especialmente aquelas ligadas a barreiras tarifárias, acesso a mercados e cooperação industrial em setores estratégicos.

Pressão na área comercial

No campo econômico, o Brasil tem pressionado pela revisão de sobretaxas aplicadas a exportações brasileiras e pela reativação de agendas técnicas que foram interrompidas. O governo vê a normalização do diálogo diplomático como passo indispensável para criar um ambiente político favorável a acordos comerciais e investimentos.

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