Beto Carrero World entra para lista dos mais visitados do mundo

A trajetória de Beto Carrero revela como infância humilde, experiências em rádio, música, publicidade e circo, além da criação de uma marca afetiva, sustentaram a abertura de um parque em Santa Catarina que evoluiu para referência latino-americana, premiada globalmente e projetada para novas expansões nas próximas décadas com forte gestão.

Beto Carrero é o nome que sintetiza uma transformação rara no entretenimento brasileiro: a de João Batista Sérgio Murad, menino pobre do interior paulista que saiu do imaginário de herói para construir uma operação real de lazer em escala internacional. O caminho não foi linear, mas combinou talento artístico, leitura de público e visão empresarial. Nascido em 9 de setembro de 1937, em São José do Rio Preto, João Batista foi o penúltimo entre 11 irmãos, cresceu em uma família humilde e atravessou diferentes fases profissionais até consolidar uma identidade pública forte. Décadas depois, esse percurso pessoal virou um projeto duradouro, com base física em Penha, Santa Catarina, e alcance reconhecido fora do Brasil.

A base da história começa longe dos grandes centros de produção cultural. Em São José do Rio Preto, a infância de João Batista foi marcada por restrições materiais e por uma rotina típica do interior, mas também por um repertório simbólico poderoso: heróis, aventura, espetáculo popular e fascínio por personagens de coragem. Esse contraste entre limite econômico e ambição criativa ajuda a explicar o tamanho do salto que viria depois. O sonho de ser um “Zorro brasileiro” não foi apenas fantasia juvenil. Ele funcionou como bússola narrativa para escolhas futuras, porque organizou duas ideias que mais tarde se encontrariam no mesmo projeto: personagem e público. Desde cedo, havia uma intuição de que o entretenimento não dependia só de palco, mas de identidade, presença e vínculo emocional com quem assiste.

Antes do parque, uma formação profissional em camadas

Antes de existir a marca nacional Beto Carrero, existiu um profissional em permanente adaptação. João Batista atuou como locutor de rádio até os 21 anos, foi músico sertanejo, apresentador em shows de rádio e vendedor de anúncios. Esse percurso, muitas vezes lido como disperso, pode ser entendido como treinamento completo de comunicação, performance e negociação.

Com o tempo, ele estruturou uma agência de propaganda que chegou ao grupo das 20 maiores do Brasil, ampliando sua atuação no mercado publicitário e editorial.

Na década de 1970, já trabalhava como agente de artistas consagrados e realizava shows em feiras, rodeios e exposições no Brasil e no exterior. Na prática, ele acumulou repertório de conteúdo, distribuição e monetização, três pilares que seriam decisivos quando o parque deixasse de ser sonho e virasse operação.

O nome Beto Carrero surgiu como homenagem ao pai, Alexandre Carrero, conhecido na cidade por conduzir carro de boi. Esse detalhe, aparentemente simples, tem peso estratégico: a marca nasce com origem afetiva, memória familiar e forte reconhecimento sonoro. Em vez de um rótulo artificial, havia um nome com história e identificação popular. No início dos anos 1980, o personagem foi lançado oficialmente com o cavalo Faísca, consolidando a figura do cowboy brasileiro. Beto Carrero não era apenas fantasia de palco; era um ativo narrativo pronto para circular em diferentes mídias. O público não recebia somente um artista, mas um personagem coerente, com signos visuais claros e promessa de aventura acessível a várias idades.

Expansão de presença: circo, quadrinhos, cinema e marca

A projeção do personagem veio antes da inauguração do parque. Em 1985, Beto Carrero chegou aos quadrinhos com “As Aventuras de Beto Carrero”, pela editora Cluq. Em seguida, participou do cinema em “Os Trapalhões no Reino da Fantasia”, ao lado de Xuxa.

Esses movimentos ampliaram alcance e frequência de contato com o público, reduzindo a dependência de um único canal. No universo circense, a relação com o picadeiro e com os animais também moldou o estilo de apresentação e a conexão popular do personagem. O antigo circo Beto Carrero serviu como vitrine itinerante da marca pelo país.

Esse estágio foi decisivo porque testou linguagem, mediu resposta de audiência e consolidou familiaridade nacional antes do projeto fixo em Santa Catarina.

Share this content:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *