De longe, ele pode até parecer o Bambi, personagem clássico da Disney que se destaca pela inocência. Mas não se deixe enganar pelas aparências: você pode estar cara a cara com o chital (Axis axis), uma espécie exótica invasora no Brasil considerada perigosa. Originária da Ásia, a espécie foi registrada no Brasil pela primeira vez em 2009 e, desde então, vem ampliando sua área de ocorrência no país.

Em janeiro deste ano, o chital foi registrado pela primeira vez no Pantanal, em uma fazenda localizada a cerca de 100 km ao sul de Corumbá (MS), na região do Nabileque. O animal foi filmado por um funcionário da propriedade após atacar touros no pasto e ser perseguido por cães. O registro confirma o avanço da espécie pelo território brasileiro, cuja expansão tem sido estimada entre 100 e 150 quilômetros por ano. Cervo asiático cruzou fronteiras e pode pesar mais de 100 kg
Se o chital é nativo da Ásia, o que ele está fazendo aqui no Brasil? O animal foi introduzido no início do século XX no Uruguai e, entre 1928 e 1930, na Argentina, com fins de caça esportiva. Mas a partir dessas populações, a espécie expandiu-se pelo território argentino, alcançou o Paraguai e entrou no Brasil pelo Rio Grande do Sul. Desde então, ele foi visto também em Santa Catarina, Paraná, São Paulo e agora no Mato Grosso do Sul.

E não pense que eles passam despercebidos: de porte grande e forte, os machos podem ultrapassar os 100 kg. Além disso, o chital é adaptável e com alta capacidade de dispersão. Para se ter uma ideia, a expansão da espécie pode variar entre 100 e 150 quilômetros por ano, e à medida que as populações crescem e se tornam mais densas, essa velocidade pode aumentar ainda mais.
Contudo, o detalhe que ninguém imagina está no comportamento do chital. Diferentemente da imagem popular associada aos cervos, ele pode apresentar interações agressivas. Em 2022, no Paraguai, um chital mantido como animal ornamental atacou e matou um policial na residência oficial do presidente do país. Já no Pantanal, o animal investiu contra bovinos, comportamento incomum para cervídeos nativos brasileiros.
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