Poesia de Natal

Ir às compras e aparecer na tevê.

Eis o que sem malquerer se vê.

Gastar dinheiro e tempo à toa,

Por quê?

Se amanhã pode faltar? E você

Recorrerá ao banco ou ao cambista?

Que coisa mais me entrista:

Um dia do consumista,

Na multidão para fazer-se uma pessoa

Pela tevê e pela massa, embora doa!

Perdeu de apreciar a lua à noite

E o sol que nasce toda manhã,

Onde ele nasce, e a neve onde ela cai,

Os bois, as vacas, todo animal que pasce…

Papai Noel é o Menino que nasce

Em seu coração por todas as manhãs.

Natal é dar-se sem esperar a volta,

Amar é estar só, sem nada, sem escolta.

Tudo é mentira, o homem desmerece

O tudo que tem e a sua messe

De graça,

Que passa.

______________

*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro.

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