Segredos agrícolas: Agricultores enterram hidrogéis que absorvem até 400X o próprio peso em água

Polímeros superabsorventes enterrados no solo absorvem até 400 vezes o próprio peso em água, reduzem evaporação e ajudam lavouras a enfrentar secas prolongadas.

O uso de polímeros superabsorventes agrícolas, conhecidos tecnicamente como hidrogéis, não é uma experiência recente nem localizada. A tecnologia começou a ser estudada de forma sistemática a partir das décadas de 1970 e 1980, inicialmente em pesquisas acadêmicas nos Estados Unidos, Japão e Europa, e ganhou aplicações agrícolas concretas a partir dos anos 1990, quando universidades e centros públicos de pesquisa passaram a testá-la em condições reais de campo.

No Brasil, os estudos e aplicações vêm sendo conduzidos desde os anos 2000 por instituições como a Embrapa, em parceria com universidades federais e estaduais, especialmente em regiões com histórico de déficit hídrico recorrente, como o Semiárido nordestino, o Cerrado e áreas arenosas do Sul do país. Em escala internacional, organismos como a FAO passaram a citar o uso de hidrogéis como tecnologia complementar de adaptação agrícola às mudanças climáticas em relatórios técnicos publicados a partir da década de 2010.

Esses testes não ocorreram em ambientes controlados de laboratório apenas. Eles envolveram lavouras comerciais, projetos-piloto em pequenas propriedades e ensaios de longa duração, com acompanhamento de produtividade, retenção de umidade no solo e consumo real de água.

O que são os polímeros que absorvem até 400 vezes o próprio peso

Os polímeros utilizados na agricultura, e que podem ser usados no plantio de árvores nas vias públicas urbanas (foto) pertencem à classe dos polímeros superabsorventes (SAPs). Quimicamente, eles são cadeias longas de moléculas, geralmente à base de poliacrilato de potássio, poliacrilamida ou combinações biodegradáveis mais recentes, capazes de formar uma rede tridimensional.

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