Corredor hídrico avança pelo deserto egípcio e redefine uso da água fora do vale do Nilo, com engenharia pesada, controle digital e aposta estatal para ampliar áreas agrícolas e reduzir pressão demográfica concentrada em menos de 5% do território nacional.
Um corredor de água construído no deserto ocidental do Egito vem se tornando peça central do Novo Projeto Delta, iniciativa do governo para levar irrigação e ampliar áreas agrícolas fora da faixa tradicional do Nilo. A obra é descrita, em materiais e reportagens técnicas sobre o empreendimento, como um “rio” artificial com cerca de 114 quilômetros, formado por canal aberto e trechos em tubulações de grande diâmetro, além de reservatórios, comportas e estações de bombeamento.
A aposta é transformar áreas áridas em polos de produção, usando água do sistema do Nilo e, sobretudo, água de drenagem agrícola e esgoto tratados. Ao deslocar parte da infraestrutura hídrica para o oeste, o Egito tenta responder a uma equação cada vez mais apertada: população em crescimento e pouca terra cultivável concentrada perto do rio.

Dados do Banco Mundial apontam que o país tinha 116,5 milhões de habitantes em 2024, número que ajuda a explicar a pressão sobre moradia, serviços e segurança alimentar. A imagem do Egito costuma ser associada a monumentos do passado, mas a geografia impõe limites bem atuais.
Com grandes áreas desérticas e a maior parte da atividade agrícola historicamente concentrada no vale e no delta do Nilo, projetos de expansão agrícola passaram a ser tratados como estratégicos para o abastecimento interno.
Nesse contexto, o Novo Delta foi apresentado como um conjunto de obras para recuperar terras, criar infraestrutura de água e apoiar novos assentamentos produtivos.
Uma das bases do plano é reaproveitar água.
Share this content:
